DE MANÁGUA NA NICARÁGUA À TEGUCIGALPA EM HONDURAS
Trigésimo sexto dia.
“Viajar de moto é uma das experiências mais fascinantes que se pode ter
nessa vida. Quem não tem o coração de motociclista provavelmente nunca
entenderá o por que.
Mas até mesmo eu, às vezes, fico me perguntando, afinal, por que é tão bom
assim?
Não tenho respostas, só alguns pensamentos.
Em primeiro lugar, viajar de moto evoca sentimentos de tempos e realidades
muito distantes de nós; é como se nos transportássemos para outra época e, de
repente, lá estamos nós com nossa armadura, baixando a viseira de nosso elmo,
preparados para uma missão distante e desafiadora. No fundo, mesmo que isso
pareça meio estranho, todo motociclista se sente como um guerreiro, deixando a
segurança e o conforto de sua casa para ir adiante, desbravar territórios e
vencer desafios.
Também existe um sentimento quase místico, como se estivéssemos saindo de
nossa própria vida, vendo o que há lá fora. Viajar de moto é estar em
movimento, é deixar a monotonia. A casa, o trabalho, nossa cidade, tudo fica
para trás e seguimos adiante rumo ao desconhecido, mesmo que seja apenas a
cidadezinha turística a 100km dali.
Viajar de moto também nos coloca em contato com outra vivência de
relacionamentos que rompe com os paradigmas da vida moderna. Não há chefe, nem
subordinados, apenas amigos, companheiros. E nenhum deles é melhor do que o
outro, ninguém está competindo, somente compartilhando.
Há também uma intensa ligação com o campo do conhecimento. Todas as matérias
estudadas em uma sala de aula são experimentadas, mas de uma forma muito
diferente da que qualquer professor conseguiu nos proporcionar. A matemática
está ali o tempo todo: são retas, curvas, tangências, ângulos, 100, 120,
140..., melhor parar por aqui. A física então, nem se fala: inércia,
aceleração, movimentos retilíneos uniformes (ou não), calor, velocidade do
vento; porque isso não parecia interessante na sala de aula?
A geografia e a biologia também são matérias sempre presentes em vales,
montanhas, serras, colinas, rios e cachoeiras, pássaros (sim, eles ainda
existem). Até mesmo a história, seja dos lugares ou das pessoas que
encontramos, acaba nos atraindo.
O português não fica de fora e nem limitado à leitura de algumas placas; viagem
de moto combina com histórias, contos , poesias, música; tudo inserido em
longas conversas e não circunscritas a aulas, cadernos e horários.
Em uma viagem de moto também entramos em contato com nossos valores mais
elevados. Coisas como liberdade, respeito, responsabilidade, solidariedade, são
sempre presentes. Até mesmo nosso contato com o criador é estimulado; nossa
mente viaja também, medita, contempla.
Diante de todas estas experiências olhamos para o dom maravilhoso que nos
foi dado, a vida, e para aquele que nos deu tudo isso e somos levados a dizer,
ainda que sem palavras: "muito obrigado" (autor desconhecido. Recebi
no Zap).
Hoje é o dia de buscar minha carteira no Departamento de Polícia Nacional,
aqui em Manágua. Tenho que pagar a multa, mas o banco só abrirá as 08H:30min,
espero que tudo corra bem, pois quero sair da Nicarágua o mais rápido possível.
Fomos ao posto de gasolina que passamos a frequentar pra tomar o café,
almoçar e jantar aqui perto do hotel, para tomarmos o nosso café da manhã. Café
tomado e fomos lá, ver no que vai dar. Beleza, correu tudo bem, pagamos a multa
e retiramos nossa carteira.
De volta ao hotel, subimos para os quartos para trocar de roupa e ir embora.
Saímos por volta das 10H:30min, o sol aqui é bem forte, então o calor cozinha a
gente dentro dessa roupa de cordura.
A estrada é boa, mas não durou muito tempo para chegarmos a aduana e ter
aquele sofrimento que já faz parte de nossas vidas nos últimos 36 dias.
Chegando na aduana é aquela correria dos ratos de plantão. Nossa! Não estou
mais com paciência com esses camaradas, está dando vontade de pular na garganta
do primeiro que falar alguma coisa.
A saída da Nicarágua foi tranquila. Já a de Honduras, nossa que fila enorme.
Resolvemos pagar o despachante e logo fomos liberados, mas o custo não é baixo.
Quando estávamos na aduana perguntamos ao Christian e ao Milton, dois
garotos hondurenhos de no máximo dez anos, como estava a rodovia e a resposta
não foi nada agradável. Pegamos diversos trechos com crateras, mas foi possível
passar , não sem antes cair em alguns. No meu caso, peguei um buraco enorme.
Minha sorte é que estava em pé na moto e a batida no buraco, só amassou um
pouco minha roda.
Mais um pouquinho a frente, a rodovia estava em obras. Ah! Ia me esquecendo.
Quando saímos do hotel, decidimos que iríamos por El Salvador, mas depois da
aduana de Honduras, desistimos e esse foi nosso maior erro, pois pegamos a
estrada em obra, o que significa que o sistema siga e pare, que vai nos fazer
atrasar. Em um desses ficamos mais de
uma hora parados, ainda bem que já estava no final da tarde e o calor já tinha diminuído.
Hoje rodamos, cerca de 400 Km. Agora são 22H:32min, aqui em Tegucigalpa, em
Honduras, o tempo está mais frio, a temperatura deve esta por volta dos 20
graus.
Beijos fiquem com Deus.
Vejam as fotos: