quarta-feira, 31 de maio de 2017

DE TEGUCIGALPA EM HONDURAS À CHIQUIMULA NA GUATEMALA TRIGÉSIMO SÉTIMO DIA





Trigésimo sétimo dia.

Para não perder o costume, tenho acordado por volta das 04H:30min, todo dia. O corpo ainda não acostumou com essa mudança de horário. Reclama mas não se adapta.

Saímos em direção a Guatemala, nossa intenção é fazer a aduana hoje e já dormir perto da Cidade da Guatemala.

A princípio pegamos uma rodovia, espetacular, três faixas, fantástica. Mas como não se pode ter tudo, saímos dela e fomos para outra. Não tão boa, mas dava para acelerar um pouco. Chegamos à aduana de Honduras e para nossa surpresa não tinha fila, não tinha despachante, não tinha gente pedido dinheiro. Que maravilha!

Trâmites resolvidos em Honduras e partimos para a aduana da Guatemala. Carimbo no passaporte foi rápido, agora era registrar as motos. E ai meu amigo, que dureza. È ter que tirar cópia do carimbo do passaporte de entrada no país, cópia dessa minha cara feia que está no passaporte, cópia da minha cara feia que está na carteira de motorista, cópia do registro da moto, pagar uma taxa no banco, levar de volta, esperar o atendente ter a boa vontade de olhar para o Nilton e ver que ele já pagou as taxas e só está esperando sua alteza real, pegar os papéis e fazer o seu serviço, ir para a moto, colar um adesivo, receber um papel que fica com a gente, receber outro papel que devemos entregar para o cara da cancela. Pronto. Entramos na Guatemala.

Não tivemos muita sorte em termos de rodovia hoje, na Guatemala, também pegamos um trecho horroroso, cheio de buracos, mas finalmente chegamos em uma cidade já as 18H:00min para primeiro comemorar nosso meio caminho andado até o Alaska, cortando o cabelo. Nossa! O Ricardo e o Nilton que já eram feios ficaram terríveis. De mim nem vou falar nada.

Hoje rodamos, cerca de 430 Km. Agora são 20H:00min, aqui em Chiquimula, na Guatemala, está quente novamente, a temperatura agora é de 27 graus.


Beijos fiquem com Deus.


Vejam as fotos:


































































































































terça-feira, 30 de maio de 2017

DE MANÁGUA NA NICARÁGUA À TEGUCIGALPA EM HONDURAS TRIGÉSIMO SEXTO DIA





DE MANÁGUA NA NICARÁGUA À TEGUCIGALPA EM HONDURAS



Trigésimo sexto dia.

“Viajar de moto é uma das experiências mais fascinantes que se pode ter nessa vida. Quem não tem o coração de motociclista provavelmente nunca entenderá o por que.

Mas até mesmo eu, às vezes, fico me perguntando, afinal, por que é tão bom assim?

Não tenho respostas, só alguns pensamentos.

Em primeiro lugar, viajar de moto evoca sentimentos de tempos e realidades muito distantes de nós; é como se nos transportássemos para outra época e, de repente, lá estamos nós com nossa armadura, baixando a viseira de nosso elmo, preparados para uma missão distante e desafiadora. No fundo, mesmo que isso pareça meio estranho, todo motociclista se sente como um guerreiro, deixando a segurança e o conforto de sua casa para ir adiante, desbravar territórios e vencer desafios.

Também existe um sentimento quase místico, como se estivéssemos saindo de nossa própria vida, vendo o que há lá fora. Viajar de moto é estar em movimento, é deixar a monotonia. A casa, o trabalho, nossa cidade, tudo fica para trás e seguimos adiante rumo ao desconhecido, mesmo que seja apenas a cidadezinha turística a 100km dali.

Viajar de moto também nos coloca em contato com outra vivência de relacionamentos que rompe com os paradigmas da vida moderna. Não há chefe, nem subordinados, apenas amigos, companheiros. E nenhum deles é melhor do que o outro, ninguém está competindo, somente compartilhando.

Há também uma intensa ligação com o campo do conhecimento. Todas as matérias estudadas em uma sala de aula são experimentadas, mas de uma forma muito diferente da que qualquer professor conseguiu nos proporcionar. A matemática está ali o tempo todo: são retas, curvas, tangências, ângulos, 100, 120, 140..., melhor parar por aqui. A física então, nem se fala: inércia, aceleração, movimentos retilíneos uniformes (ou não), calor, velocidade do vento; porque isso não parecia interessante na sala de aula?

A geografia e a biologia também são matérias sempre presentes em vales, montanhas, serras, colinas, rios e cachoeiras, pássaros (sim, eles ainda existem). Até mesmo a história, seja dos lugares ou das pessoas que encontramos, acaba nos atraindo.

O português não fica de fora e nem limitado à leitura de algumas placas; viagem de moto combina com histórias, contos , poesias, música; tudo inserido em longas conversas e não circunscritas a aulas, cadernos e horários.

Em uma viagem de moto também entramos em contato com nossos valores mais elevados. Coisas como liberdade, respeito, responsabilidade, solidariedade, são sempre presentes. Até mesmo nosso contato com o criador é estimulado; nossa mente viaja também, medita, contempla.

Diante de todas estas experiências olhamos para o dom maravilhoso que nos foi dado, a vida, e para aquele que nos deu tudo isso e somos levados a dizer, ainda que sem palavras: "muito obrigado" (autor desconhecido. Recebi no Zap).

Hoje é o dia de buscar minha carteira no Departamento de Polícia Nacional, aqui em Manágua. Tenho que pagar a multa, mas o banco só abrirá as 08H:30min, espero que tudo corra bem, pois quero sair da Nicarágua o mais rápido possível.

Fomos ao posto de gasolina que passamos a frequentar pra tomar o café, almoçar e jantar aqui perto do hotel, para tomarmos o nosso café da manhã. Café tomado e fomos lá, ver no que vai dar. Beleza, correu tudo bem, pagamos a multa e retiramos nossa carteira.

De volta ao hotel, subimos para os quartos para trocar de roupa e ir embora. Saímos por volta das 10H:30min, o sol aqui é bem forte, então o calor cozinha a gente dentro dessa roupa de cordura.

A estrada é boa, mas não durou muito tempo para chegarmos a aduana e ter aquele sofrimento que já faz parte de nossas vidas nos últimos 36 dias.

Chegando na aduana é aquela correria dos ratos de plantão. Nossa! Não estou mais com paciência com esses camaradas, está dando vontade de pular na garganta do primeiro que falar alguma coisa.

A saída da Nicarágua foi tranquila. Já a de Honduras, nossa que fila enorme. Resolvemos pagar o despachante e logo fomos liberados, mas o custo não é baixo.

Quando estávamos na aduana perguntamos ao Christian e ao Milton, dois garotos hondurenhos de no máximo dez anos, como estava a rodovia e a resposta não foi nada agradável. Pegamos diversos trechos com crateras, mas foi possível passar , não sem antes cair em alguns. No meu caso, peguei um buraco enorme. Minha sorte é que estava em pé na moto e a batida no buraco, só amassou um pouco minha roda.

Mais um pouquinho a frente, a rodovia estava em obras. Ah! Ia me esquecendo. Quando saímos do hotel, decidimos que iríamos por El Salvador, mas depois da aduana de Honduras, desistimos e esse foi nosso maior erro, pois pegamos a estrada em obra, o que significa que o sistema siga e pare, que vai nos fazer atrasar. Em um desses  ficamos mais de uma hora parados, ainda bem que já estava no final da tarde e o calor já tinha diminuído.

Hoje rodamos, cerca de 400 Km. Agora são 22H:32min, aqui em Tegucigalpa, em Honduras, o tempo está mais frio, a temperatura deve esta por volta dos 20 graus.


Beijos fiquem com Deus.


Vejam as fotos: